Por um planeta limpo
Publicado em: 29/10/2009 por Aline Salcedo
Uma reportagem sobre a contaminação das águas do rio Amazonas mudou a vida da atriz Isabel Fillardis, 33 anos. Ela estava em um avião, há cinco anos, quando leu o texto em que ficou sabendo sobre os riscos que a maior bacia fluvial do mundo corria. Desembarcou decidida a fazer algo, mas não sabia exatamente o quê. "Naquele momento percebi que o mundo estava acabando e tinha de agir. Foi uma questão de sobrevivência. Sem dúvida, o que me motivou foi desejar um futuro melhor para meus filhos", conta ela, mãe de Analuz, 6, e Jamal, 4.
Um ano depois, o desejo se materializou na ONG Doe Seu Lixo, que recolhe gratuitamente papéis, plásticos, metais e vidros em empresas e prepara esse material para a reciclagem.
LIXO QUE DÁ DINHEIRO
Ao lado do marido, Júlio César, 41, Isabel começou o projeto com cerca de 30 funcionários e hoje emprega 500 pessoas, no Rio de Janeiro (o galpão fica no bairro Santo Cristo, na região da Leopoldina, subúrbio carioca) e em Taubaté (interior de São Paulo). São funcionários treinados, que separam o lixo e o embalam. Uma vez prensado, o material segue para indústrias de reciclagem.
Atualmente, eles recolhem cerca de 380 toneladas de lixo. "É bom para todo mundo. As empresas parceiras economizam, pois não precisam pagar para alguém retirar o lixo excedente. E, como geramos renda com a venda para a reciclagem, nosso projeto é auto-sustentável. É um ciclo. Antes, as empresas nem sabiam que o lixo poderia ser comercializado. Agora, já nos procuram", conta.
Em 2005, a ONG ganhou certificado da Fundação Banco do Brasil, que a reconhece como uma organização que representa soluções efetivas de transformação social - o prêmio tem apoio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). "Geramos cada vez mais emprego e renda e promovemos a educação e a inclusão social de nossos funcionários. Eles sabem que não são apenas catadores de lixo. Que adiantaria cuidar do meio ambiente e esquecer da questão social?", avalia Isabel.
NOVOS PROJETOS
Há um ano, a atriz e seu marido fundaram uma outra ONG, a Força do Bem, que pretende montar um grande banco de dados de pessoas com deficiência no Brasil. A idéia do programa é servir para alimentar pesquisas de saúde e também colocar os portadores de deficiências no mercado de trabalho.
A inspiração para o projeto veio do filho, Jamal - o menino é portador da síndrome de West, raro tipo de epilepsia que atrasa o desenvolvimento psicomotor e cerebral. "Hoje ele está ótimo, começando a falar e a andar", diz a atriz.
CONTAMINAÇÃO DO BEM
Ela explica que dedica 30% de seu tempo para cuidar das ONGs. "Uso minha imagem em campanhas e visito as empresas em busca de parceiros. No início, diziam que eu era louca. Sei que não vou conseguir salvar o universo sozinha, mas estou fazendo a minha parte e acho que sirvo de exemplo. Quero contaminar as pessoas com algo bom, que é trabalhar por um mundo melhor."
EXEMPLO EM FAMÍLIA
Em sua casa, no Rio, Isabel Fillardis mantém dois grandes contêineres para recolher lixo orgânico (restos de alimentos e folhas) e sólido. "Lavamos as garrafas PET, as latinhas, os recipientes de iogurte e todos os potes. Esperamos secar e, só então, os jogamos no lixo. Dá trabalho, mas não é nada difícil. É uma questão de hábito. Quando alguém deixa de fazer essas coisas, Analuz é a primeira a chamar a atenção", conta a atriz. "Vira-e-mexe também ensino outras coisas simples, como fechar a torneira na hora de escovar os dentes", completa.
Autor: Aline Salcedo
Fonte: Abril - www.planetasustentavel.abril.com.br
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Só limpeza: no bairro Santo Cristo, subúrbio do Rio, funciona a sede da ONG fundada por Isabel Fillardis
